Pare de ciscar com as galinhas e vire águia.

Por Patwant Kaur

Foto: Camila Muradas

É fácil ficar distraído, confuso. Somos pressionados por estímulos externos, cobranças sociais, familiares. Para muitos é complicado conviver com a própria companhia. Conheço pessoas que mal saem de um relacionamento e já começam outro. Seguem guiadas por uma agenda cheia de compromissos e não suportam a ideia de ficar consigo mesmas e longe do barulho. Quando não estão na internet, precisam estar rodeadas de gente em locais diferentes. Mais importante que aproveitar o momento presente, o estado do sentir é sair na foto.

Observo que a maioria está procurando a satisfação dos desejos em coisas, pessoas, buscando fora de si o que só pode ser encontrado dentro. Falta coragem e autenticidade para atuar de outra maneira e entender como pode ser bom o encontro com a nossa própria companhia. Enquanto não formos capazes de ter esse entendimento fica difícil acessar o auto amor o perdão e a cura para continuar a caminhada da vida com segurança.

Quando a pessoa não tem uma boa conexão consigo mesma, com a sua identidade, essa confusão externa interfere também nos relacionamentos. De uma maneira geral, tanto as amizades quanto os amores acontecem pela necessidade de suprir carências e não pela valorização do outro pelo que ele é. Os relacionamentos se tornam pobres pois não é possível estabelecer uma relação autêntica com o parceiro (a), amigo (a) enquanto não formos capazes de estabelecer uma convivência legítima e verdadeira com a gente mesmo.

Vivemos na ilusão do querer que é criada pela mente que acha que precisa de todas essas coisas. Somos viciados no pensar e essa compulsão nos torna incapazes de acessar nossos sentimentos mais profundos, voltar a atenção para o corpo e encontrar a paz. Julgamos o presente com os olhos do passado de experiências que já vivemos. Sofremos por situações que ainda não aconteceram e consequentemente acumulamos estresse e infelicidade. Esse é o padrão da maioria. É conhecido estar entre as galinhas e fazer o que elas fazem, ciscar.

A parte boa nessa história toda é que existe um caminho alternativo e contrário a esta direção. Uma via com mais conexão em que é possível parar e ouvir o coração, o corpo   e a respiração. Quando alcançamos esse aprendizado que é o princípio da meditação, ganhamos presença e a altitude das águias que voam de cima. Nesse lugar neutro da mente é possível observar “EU” com uma visão macro, amorosa e exercer o auto perdão. Nesse lugar encontramos conforto e plenitude. Compreendemos que tudo, situações e pessoas que estão no nosso caminho tem um propósito e aprendizado. Nos tornamos compassivos, gratos pela vida.

Acredito que ações transformadoras como parar de reclamar, competir e comparar podem acelerar o voo das águias. Quando estamos distraídos no drama, responsabilizando o outro pelo nosso infortúnio, fica difícil enxergar oportunidades e ver a beleza que existe em cada momento. Nossas vidas são o resultado da nossa capacidade de plasmar boas energias, palavras ou de vivermos afogados em nossa própria miséria. As galinhas não saem do chão enquanto as águias voam alto para alcançar o seu destino.

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