Eu não quero saber da sua espiritualidade, eu quero saber da sua humanidade

Por Patwant Kaur

Foto: Camila Muradas

Cuidar da dieta é bom, praticar yoga é excelente, meditar traz elucidação. Os caminhos para a conexão com o divino que há em nós são verdadeiros presentes. Mas o que fazer com os “seres gratiluz”, que vivem quase que num estado de iluminação terrena, e que no fundo, seus egos inflados não lhes permite serem humanos e respeitar o básico da boa convivência e da compaixão entre os seres?

O que você, leitor desse artigo está fazendo quando não está cultuando o seu “papo furado” sobre espiritualidade? Sua cabeça consegue repousar no travesseiro e o seu coração está tranquilo? Você lida bem com vulnerabilidades e fraquezas? A linha entre o espiritual e humano é tênue, e ela deve existir, pois ninguém é tão espiritual que não possa ser humano e ninguém é tão humano que não possa desenvolver espiritualidade.

O escritor Jeff Foster fala sobre essa triste ambiguidade do ser humano no poema “ Quem é Você sem a sua Estória”?   No poema abaixo ele expressa o que interessa verdadeiramente ao convívio humano: a humanidade. Não é a conversa de evolução espiritual, mas o ouvir e o entender genuíno. Não é a filosofia, mas o gesto. “Não me fale sobre sua espiritualidade, amigo. Realmente não estou interessado. Eu só quero encontrar VOCÊ“.

Quem é você sem a sua estória espiritual?

Por favor, não me fale de “ Pura Presença” ou de “Estabelecer-se no Absoluto”, eu quero ver como você trata seu companheiro, suas crianças, seus pais, seu precioso corpo.

Por favor, não me dê uma aula sobre “ a ilusão do eu separado” ou como conquistar a iluminação permanente em apenas sete dias.

Quero sentir o genuíno calor irradiando do seu coração. Quero ouvir quão bem você ouve, como recebe informação que não se encaixa na sua filosofia pessoal.  Quero ver como você lida com as pessoas que discordam de você.

Não me fale quão iluminado você é, quão livre você está do seu ego.
Quero conhecer você por trás das palavras.
Quero conhecer você quando os problemas chegam.
Se você consegue permitir totalmente a sua dor e não finge ser invulnerável.
Se você consegue sentir sua raiva sem apelar à violência.
Se você consegue dar passagem segura à sua tristeza sem ser escravo dela.

Se você consegue sentir sua vergonha e não envergonhar os outros:
Se você consegue estragar tudo, e admitir que estragou.
Se você pode dizer “desculpe” e realmente querer pedir desculpas.
Se você consegue ser totalmente humano em sua gloriosa divindade.

Não me fale sobre sua espiritualidade, amigo.
Realmente não estou interessado.

Eu só quero encontrar VOCÊ.
Conhecer seu precioso coração.
Conhecer o lindo humano lutando pela luz.

Antes do “ser espiritual”.
Antes de todas as palavras inteligentes.

 

 

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